O Banco do Brasil (BBAS3) reportou uma retração de 53% no lucro líquido ajustado do 1º trimestre de 2026, que fechou em R$ 3,4 bilhões. A queda foi impulsionada pelo aumento expressivo do custo de crédito e da inadimplência, especialmente nas carteiras de pessoa física e agronegócio, obrigando a instituição a rebaixar suas projeções anuais e revisar o guidance de capital.

Desempenho Operacional e Resultados do 1T26

Mesmo com o lucro em baixa, a geração de receita manteve consistência. A margem financeira bruta subiu 14,8% na base anual, atingindo R$ 27,4 bilhões. As receitas de serviços cresceram 5,5% (R$ 8,8 bilhões) e o resultado de tesouraria avançou 23%. No entanto, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) despencou de 16,7% para 7,3%, sinalizando menor eficiência na alocação de recursos frente ao ciclo de crédito mais restritivo.

Qualidade do Crédito e Pressão no Agronegócio

O principal vetor de desvalorização foi o custo de crédito, que consumiu R$ 13,8 bilhões no trimestre (+15,8% ante 1T25). A inadimplência acima de 90 dias na carteira de pessoa física subiu para 6,82%, enquanto no segmento de agronegócio saltou para 6,22%. Apesar do cenário desafiador, indicadores de formação de novas inadimplências (new NPLs) caíram de R$ 10,3 bilhões para R$ 7,1 bilhões, sugerindo possível estabilização no 2º trimestre. A carteira de pessoa jurídica encolheu, mas apresentou melhora na qualidade.

Revisão do Guidance e Política de Proventos

Diante dos números, o banco ajustou a meta de lucro líquido de 2026 para R$ 18 bilhões–R$ 22 bilhões (antes R$ 22–26 bilhões) e elevou o teto de custo de crédito para R$ 65–70 bilhões. Para acalmar o mercado, foi aprovado um JCP de R$ 0,08 por ação, com pagamento em 11/06, equivalente a um retorno imediato de 0,38%. O payout segue a diretriz de 30%, mas depende da normalização das provisões.

Análise Técnica, Valuation e Preço Teto

As ações da BBAS3 negociam com desconto de 37% sobre o valor patrimonial e P/L de 8,7x. Tecnicamente, a tendência de curto/médio prazo permanece baixista, com suporte em R$ 19,47 e resistência em R$ 21,27. Segundo os cálculos do Ativo Virtual, o preço teto varia entre R$ 10,50 e R$ 25,13, conforme a taxa de retorno exigida. A Genial mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 23,30.

O que muda para investidores

  • Curto prazo: Volatilidade deve continuar até a confirmação da inflexão da inadimplência no agro e no varejo.
  • Longo prazo: Fundamentos seguem sólidos, mas exigem paciência. Estratégias complementares, como aluguel de ações (também aplicável a ativos como BBDC4 e BBAS3), podem potencializar a renda passiva enquanto o fluxo de dividendos diretos permanece comprimido.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.