O Brasil consolidou-se em 2025 como o terceiro maior destino global de Investimento Estrangeiro Direto (IED — fluxo de capital internacional destinado a participações societárias, reinvestimento de lucros e aportes de longo prazo em ativos produtivos), totalizando US$ 77 bilhões. O volume representa um avanço de 23% em relação ao ciclo anterior e responde por 4,9% de todas as operações realizadas mundialmente, conforme estatísticas finais divulgadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) na quinta-feira, dia 30.
Posicionamento internacional e evolução dos fluxos
O levantamento da OCDE evidencia a competitividade do mercado brasileiro para capitais estruturais. Na ponta do ranking, os Estados Unidos mantiveram a liderança histórica com US$ 288 bilhões. A China recuperou a vice-liderança ao captar US$ 80 bilhões, interrompendo uma sequência de três anos de retração. A trajetória brasileira demonstra resiliência: em 2024, o país já figurava em terceiro, posicionado à frente do Canadá. Em 2023, o Brasil havia alcançado a segunda posição mundial, ficando atrás apenas da economia norte-americana.
| País | Posição em 2025 | IED Captado (US$ bi) | Contexto Recente |
|---|---|---|---|
| Estados Unidos | 1º | 288 | Liderança histórica consolidada |
| China | 2º | 80 | Retomada após três anos de baixa |
| Brasil | 3º | 77 | Alta de 23% frente ao ano anterior |
Dinâmica dos projetos e investimentos greenfield
Em um cenário de desaceleração dos investimentos greenfield (modalidade na qual o capital é alocado para construir uma operação do zero, sem aquisições de empresas pré-existentes) nas economias emergentes, o Brasil destacou-se ao captar um projeto estruturante na área de infraestrutura tecnológica. A iniciativa prevê a edificação de um datacenter alimentado exclusivamente por energia eólica, com alocação de capital avaliada em US$ 40 bilhões. Essa captação singular ajudou a sustentar a trajetória ascendente dos aportes produtivos, diferenciando a economia local da média regional.
Fluxos globais e abertura tarifária comercial
Em escala macro, os fluxos internacionais de IED expandiram-se 15% em 2025, alcançando US$ 1,7 trilhão. Paralelamente, o ambiente de negócios interno ganha um novo catalisador com a entrada em vigor do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul. O protocolo elimina tarifas de importação para mais de 5.000 produtos, abrangendo aproximadamente metade do universo tarifário aplicável às relações bilaterais. A medida tende a integrar cadeias produtivas, reduzir custos de insumos industriais e facilitar a internalização de tecnologia de ponta.
O que isso significa para o investidor
O volume robusto de IED sinaliza confiança estrutural de investidores institucionais internacionais na matriz econômica brasileira. Para o mercado de capitais local, o efeito se materializa no médio prazo por meio da capitalização de setores beneficiados pela infraestrutura e digitalização, além de oferecer suporte à taxa de câmbio pela entrada de dólares atrelados a projetos reais, distanciando-se da volatilidade típica de capitais especulativos. No cenário macroeconômico, a captação externa fortalece a balança de pagamentos e oferece margem de manobra para o Banco Central calibrar a Selic, reduzindo a pressão sobre o CDI.
Projeções indicam dois caminhos principais. No cenário base, a continuidade de megaprojetos e a redução de barreiras tarifárias reforçam o ciclo de investimentos em capital fixo, elevando a produtividade agregada. Em uma leitura mais cautelosa, a desaceleração dos greenfields em outras economias emergentes pode refletir uma concentração de risco em poucos empreendimentos de grande escala no Brasil, exigindo monitoramento rigoroso sobre cronogramas de execução e repasses de capital.
Riscos e fatores de atenção
- Concentração do fluxo recente em megaempreendimentos isolados, o que pode gerar sazonalidade nos repasses futuros caso novos projetos não sejam anunciados.
- Desaceleração estrutural dos investimentos greenfield em economias emergentes, indicando possíveis restrições de financiamento global ou incertezas regulatórias.
- Dependência de variáveis externas, como a política monetária norte-americana e a evolução do custo do capital internacional, que impactam a atratividade relativa dos ativos brasileiros.
Perspectiva e próximos passos
O mercado deve acompanhar a materialização física e financeira do projeto do datacenter movido a energia eólica, bem como a implementação prática da redução tarifária do acordo UE-Mercosul ao longo dos próximos trimestres. Divulgações subsequentes da OCDE e balanços de companhias listadas na B3 com exposição internacional servirão como termômetros para validar a sustentabilidade do atual ciclo de captação de capital produtivo.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
