A reação imediata do mercado à reabertura do Estreito de Ormuz provocou uma retração acentuada nos juros futuros: o Depósito Interfinanceiro (DI, instrumento financeiro que lastreia a taxa CDI utilizada no Brasil) para janeiro de 2028 recuou 29 pontos-base (cada ponto-base equivale a 0,01%) nesta sexta-feira, fixando-se em 13,20%, reflexo direto das expectativas renovadas de desescalada militar no Oriente Médio e da normalização das rotas comerciais globais.
Compressão na Curva de Juros e Renda Fixa Global
Às 10h09, os negócios no mercado de derivativos demonstraram pressão baixista generalizada. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 recuou 22 pontos-base, atingindo 13,315%, partindo de 13,537%. O movimento espelhou a desaceleração nos rendimentos do Treasury de dez anos (títulos soberanos emitidos pelo governo dos Estados Unidos e usados como referência mundial para custo de capital), que cedeu 8 pontos-base, fechando a 4,23%.
| Ativo/Prazo | Nível Anterior | Cotação Atual | Variação (pb) |
|---|---|---|---|
| DI – Jan/2028 | 13,488% | 13,20% | -29 |
| DI – Jan/2035 | 13,537% | 13,315% | -22 |
| Treasury 10Y | 4,31% | 4,23% | -8 |
Geopolítica, Petróleo e Impacto Cambial
O ministro das Relações Exteriores do Irã confirmou a liberação completa da passagem para embarcações comerciais pelo estreito estratégico, mantendo o fluxo ativo até o encerramento do período de trégua. A medida acompanha o acordo de cessar-fogo de dez dias entre Líbano e Israel, já em vigor. Em paralelo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou que representantes bilaterais podem se reunir novamente no fim de semana para avançar em um acordo definitivo de encerramento do conflito. A redução do prêmio de risco geopolítico empurrou o barril do petróleo Brent para a casa de US$ 90, ao mesmo tempo em que o dólar recuou mundialmente, cotado a R$ 4,95 frente ao real. A combinação de câmbio mais estável e energia mais barata contribui para aliviar mecanismos de transmissão inflacionária, favorecendo a convergência das taxas de juros.
Expectativas para o Copom e Precificação na B3
Apesar do alívio externo, o mercado doméstico mantém expectativas cirúrgicas para a reunião do Comitê de Política Monetária (órgão do Banco Central responsável por definir a taxa Selic, referência para a política econômica brasileira). A taxa básica permanece em 14,75% ao ano, e os agentes financeiros seguem posicionados para um movimento único de 25 pontos-base no fim deste mês, afastando a hipótese de corte ampliado de 50 pontos-base. Dados consolidados das opções de Copom negociadas na B3 na última quarta-feira mostravam 75,5% de probabilidade para a redução mais modesta, ante 16,5% para o corte duplo. Esse cenário representa uma mudança significativa em relação a 6 de abril, um dia antes da trégua EUA-Irã, quando as precificações indicavam 55% e 21,1%, respectivamente.
