A Justiça do Rio de Janeiro autorizou nesta segunda-feira (27) o leilão da unidade de negócios B2B da Oi S.A. (B3: OIBR3, OISX3), atualmente em processo de recuperação judicial. A decisão consolida um passo estruturante no saneamento financeiro da companhia, que comunicou o mercado nesta terça-feira (28) por meio de fato relevante confirmando a alienação judicial da Unidade Produtiva Isolada (UPI) denominada "Oi Soluções". A audiência para abertura de lances fechados, por via de processo competitivo judicial, está oficialmente marcada para 17 de junho de 2026.

Ativos envolvidos e base legal da alienação

A UPI a ser leiloada concentra ativos estratégicos da operação corporativa do grupo. O pacote inclui a carteira de clientes privados e governamentais, contratos vigentes, estrutura operacional, fluxo de receitas, cadeia de fornecedores e custos alocados. Na prática, o ativo abrange a comercialização de conectividade, serviços digitais e soluções de tecnologia da informação (TI) voltados a empresas e ao setor público.

A autorização do edital obedece às cláusulas 3.1.2 e 5.2 do Plano de Recuperação Judicial, aprovado em Assembleia Geral de Credores nos dias 18 e 19 de abril de 2024 e homologado judicialmente em 29 de maio do mesmo ano. A venda de ativos por meio de UPI é uma ferramenta regulada que permite a comercialização de um bloco de bens organizados como "empresa funcionando", preservando valor econômico e facilitando a captação de recursos para honrar obrigações credorais.

Cronograma e marcos do processo

A alienação seguirá um rito competitivo supervisionado pela 7ª Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro. A Companhia destacou as seguintes etapas oficiais:

  • 27/04/2026: Decisão judicial que aprova o edital e formaliza a composição da UPI Oi Soluções.
  • 17/06/2026, às 15h: Realização da audiência para recebimento e abertura das propostas fechadas.
  • Comunicação contínua: A empresa emitirá novos fatos relevantes conforme a evolução da disputa e a avaliação dos lances pelo juízo.

O que muda para investidores

A venda da operação B2B atua como um catalisador de liquidez e reestruturação patrimonial. Com a data do leilão definida, o mercado ganha visibilidade sobre o fluxo de desinvestimentos previstos no plano de recuperação. Os recursos obtidos com a arrematação da UPI devem reforçar o caixa e abater o passivo, acelerando o cumprimento das metas financeiras negociadas com os credores.

Analistas e acionistas devem acompanhar atentamente os comunicados pós-audiência. O resultado do processo competitivo influenciará diretamente a avaliação dos ativos residuais, o cronograma de saída da recuperação judicial e o reposicionamento estratégico da Oi, que deve manter o foco no saneamento do balanço e na operação dos negócios remanescentes.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.